Primeiro Ingresso: Assassinato no Expresso do Oriente

O maior detetive do mundo, Hercule Poirot, pega o Expresso do Oriente com esperança de ter uma viagem calma até seu próximo caso, contudo um assassinato ocorre no trem e cabe a ele desvendar quem é o assassino antes do trem chegar em seu destino.

Devo dizer que estava esperançoso quanto a esse filme. Apesar da primeira versão, de 1974, foi dirigida por ninguém menos que Sidney Lumet, a sensação que os trailers dessa nova versão me passavam era de um filme clássico, da década de 60 ou 70. E devo dizer que saí do cinema completamente em paz com minhas expectativas.

A direção é do Kenneth Branagh, que também faz o protagonista (egocêntrico nada o menino, né?), e a meu ver ele teve mais acertos do que erros. Junto com o diretor de fotografia, ele consegue criar cenas bonitas e que não estão lá à toa mas sim pra te ajudar a contar a historia, com destaque ao plano sequência onde Poirot entra no Expresso do Oriente e passa pelas cabines, e a última cena, em que os suspeitos estão reunidos que emula a Santa Ceia. O designer de produção é espetacular e faz você se sentir na historia, eu arriscaria até cogitar uma indicação ao Oscar nessa categoria (se Animais Fantásticos ganhou esse ano…)

Já que estamos falando do Kenneth vamos falar logo do seu protagonista. Eu vi 2 Poirot na vida: o de 1974 (Albert Finney) e o da série de TV e o Kenneth deixa os 2 no chinelo. Ele dá ao protagonista um tom imponente, até perigoso. Se antes o Poirot era passivo em relação aos fatos e inofensivo aos olhos dos outros personagens, aqui ele é hora ameaçadora, hora egocêntrica e ativa na investigação (o que pode incomodar aos fãs mais puristas dos livros, mas vejo como necessário ao representar o personagem pra uma nova geração). A atuação de Branagh leva o Poirot a adotar uma postura adequada pra cada suspeito, mais galante e educado pra uns, imponente e perigoso a outros. E QUE BIGODE MEUS AMIGOS! Não sei vocês mas eu já iniciei o projeto bigode de Poirot 2018.

 

Respeita o moço

O resto do elenco é recheado de estrelas, Daisey Ridley, Michelle Pfeiffer, Judi Dench, Josh ‘olaf’ Gad, Penelope Cruz… Quase todos dando uma atuação caricata, mas não no sentido ruim, pois o roteiro pede o estudo de arquétipos num caso clássico de assassinato. Claro que nem todos tem o mesmo destaque, o que pode ser um erro do roteiro ou uma escolha da direção, pois o próprio livro não dá o mesmo espaço pros personagens.

E o personagem do persona non grata da atualidade  Johnny Depp cabe perfeitamente para a atual situação que o ator se encontra. Se você está pensando em boicotar o filme por ele, pense de novo. Além de perder um ótimo filme, você vai ficar satisfeito com o tratamento que o filme (e a história original) dá a ele.

Os problemas que enxerguei no filme são, na maioria, em comparação ao livro. A história da família Armstrong é melhor desenvolvida no livro do que no filme. E o segundo ato do filme, onde inicia-se a investigação também quase me perdeu, por ser lento e repetitivo, mas isso também se deriva do livro.

Assassinato no Expresso do Oriente cumpre bem o seu papel de refilmar um clássico, representar Agatha Christie a nova geração. A direção remete aos clássicos filmes de época do século passado, e ainda traz uma boa discussão moral sobre o que é o senso de justiça.

 

Nota 6/7